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Por qual justiça para a saúde da sociedade a Psicologia deve atuar em tempos de pandemia?


Muitas publicações de profissionais da Psicologia nas redes sociais têm abordado o isolamento social como momento de autorreflexão, autoconhecimento, revisão de valores, dentre outras oportunidades para o processo de individuação de cada um. Com certeza, o “olhar para dentro” é essencial para buscarmos ser “quem realmente somos”, e na atual pandemia, a esse processo, se une o desafio de descobrirmos quem somos diante de uma situação que evoca decisões pessoais acerca das atitudes orientadas pelas mídias e pelos governantes, que terão consequências não somente para nossa vida pessoal, mas para a coletividade.

Nessa etapa que nosso país está adentrando, da expansão do coronavírus, no que mais a Psicologia pode contribuir? Pensamos na pirâmide de Maslow, tão antiga e conhecida, sobre a hierarquia das necessidades humanas. E refletimos sobre a parcela de brasileiros que será devastada pela Covid-19 por depender totalmente do SUS (que não tem a capacidade de atender a todos que dele necessitarão) e nas suas condições de vida, onde as necessidades básicas de Maslow não são atendidas pelo Estado. Não podemos esperar que esses cidadãos brasileiros se voltem para o isolamento com uma postura de autoconhecimento. Há a fome para aplacar, há outras doenças para tratar, há a falta de vestimenta para o frio que se aproxima. Onde estão a água e sabão para manter a higiene orientada? Como manter 1,5 m de distância se a moradia de 5 pessoas tem em sua totalidade 15 m2?

As(os) psicólogas(os), independentemente do campo em que atuam, e de acordo com os sete Princípios Fundamentais do Código de Ética do Psicólogo, são chamadas(os) a ter uma postura analítico-crítica de nossa realidade para preservar a garantia de direitos e não colaborar com qualquer tipo de segregação social. Ainda, devemos atuar com base em conhecimentos científicos tanto das ciências biológicas, cujos estudos e orientações são fundamentais para esse momento de pandemia, quanto das ciências sociais que apontam os processos explícitos e implícitos (algumas vezes perversos) que determinam a construção e funcionamento de uma sociedade... Posições que não necessitam ser excludentes!

Para finalizar, não pudemos deixar de lembrar da obra de Michael Sandel (2011) – “Justiça – o que é fazer a coisa certa?” – que de forma didática nos apresenta as diversas teorias de justiça. E dessa leitura se percebe que, ações coletivas e estatais com base em ideias de justiça utilitarista e fundamentadas em interesses de mercado, nos espreitam enquanto brasileiros ... Quem vale a pena viver? Quem é mais útil que morra? E o que nós, psicólogas(os) temos a ver com isso? Que nossos processos de “olhar para dentro” no isolamento social, não nos impeçam de também olhar essas questões que envolvem a diversidade do coletivo...

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